Infância Diante da Televisão

xuxa

A época de uma criança pode ser vivida de diversas formas: brincadeiras com os coleguinhas da escola e da vizinhança, com os brinquedos, e as inúmeras variedades que esses sempre tiveram, e também diante da televisão, assistindo a desenhos, séries, gincanas, e apresentadoras, com suas músicas, coreografias e figurinos.

A televisão brasileira passou a viver a partir do final da década de 80 e início da de 90 um coqueluche de programas, séries, e novelhinhas infantis. Entre as apresentadoras(quase todas louras), Xuxa era a líder absoluta de audiência, popularidade e músicas de gosto duvidoso. Aliás, esse período passou a ser marcado por uma disputa frenética entre a rainha dos baixinhos, Mara Maravilha e Angélica – algumas como Eliana “Dedinhos” e Mariane (lembra dela?) corriam por fora.

Os programas que contavam com apresentadoras, seguiam basicamente a mesma fórmula: exibição de desenhos animados, competições entre as crianças, com prêmios para as vencedoras, apresentação de números musicais (de convidados e/ou da própria apresentadora) e exibição de produtos das empresas patrocinadoras. E era nesse universo comercial que estava a grande sacada dos programas infantis. As grandes emissoras e o mercado publicitário passaram a perceber e a reconhecer o telespectador mirim como um grande consumidor com potencial a ser explorado. Por isso, na verdade, o que Xuxa, Angélica e companhia faziam era instigar nas pueris criancinhas daquela época, o sentimento consumista que tinham imbuído nas suas entranhas. Sim, o que importava mesmo era vender discos, sandálias, bonecas que cantavam, etc.

Mas não devemos apedrejar esses programas e suas louras. Afinal, apesar de toda essa lógica de mercado, existiam sinceras palavras de solidariedade, união e fraternidade.

E remando contra a maré de visão de lucro, existiam os programas essencialmente educativos. E os maiores expoentes de programas educativos da televisão brasileira da década de 90 são da TV Cultura. Entre essas produções infantis de qualidade, destacavam-se Rá-Tim-Bum, que passava às crianças noções de ecologia, cidadania e matérias como Português e Matemática..Ganhou medalha de ouro no Festival de TV de Nova Iorque. Tinha também o Cocoricó, cujo o menino caipira Júlio, protagonista da série, vivia histórias que passavam noções de amizade, cidadania, solidariedade e cotidiano. Ganhou o prêmio de melhor programa infantil no festival Prix Jeunesse Iberoamericano, em 2004, no Chile. Cocoricó está no ar até hoje na TV Cultura.

E nesse período de febre de programas infantis ainda tinham muitas outras opções. Séries norte – americanas,  como “Punck – A levada da breca”. Desenhos animados como “Os Ursinhos Carinhosos”, “He – Man”, “She – Ra”, “Popeye”, “O Fantástico Mundo de Bob”, “A Caverna do Dragão”, etc. Novelhinas como “Caça – Talentos”, “Flora Encantada” e Chiquititas”- essas já de meados dos anos 90 – também empolgava a criançada e os que estavam quase se despedindo dessa fase açucarada da vida. Quase todos esses desenhos, séries e novelhinhas, englobavam os grandes programas infantis. Xou da Xuxa, Angel Mix, etc, entraram para a história. Deixaram sua marca. Para o bem e para o mal.

E a posteridade infantil? O que esperar da programação infantil das emissoras? É ponto pacífico que há atualmente uma escassez de programas infantis na televisão brasileira. O que explicaria isso? Recentemente o Bom Dia e Companhia do SBT ganhou o Troféu Imprensa de melhor programa infantil de 2008. Esse programa de fato tem qualidade? Ou não tem concorrentes que o ameace? É bem verdade que as crianças de hoje não tem a inocência daquelas de gerações passadas. A televisão perdeu grande parte do público infantil para o vídeo-game, para a internet, etc. Os tempos definitivamente são outros. Por isso, as emissoras investem irrisoriamente em programas desse gênero. Mas quem viveu essa fase áurea da televisão jamais esquecerá de tudo o que viveu. Era um mundo de sonhos, fantasias, magia. Tudo parecia colorido, bonito. Só depois que crescemos é que podemos perceber o quanto muitas vezes fomos enganados. Porém,  isso faz parte de todo um processo. O importante foi ter vivido esse mundo encantado. E principalmente ter sido um dia criança.

pauloh

12 Respostas para “Infância Diante da Televisão”

  1. Phillippe Sendas Diz:

    Nossa infância… Passou. Que pena! O texto do Paulo Henrique me fez recordar dos tempos passados. Naquela época ninguém imaginava ser alvo do consumismo capitalista. A rainha mesmo, era Xuxa. Atualmente, a senhora Meneguel não empolga mais ninguém. Quanto a televisão brasileira de hoje? Concordo plenamente com a escassez de programas infantins. Maysa? Tv Globinho? Cocórico e Castelo Rá-tim-bum seriam/são melhores opções. Parabéns pelo texto.

  2. Caroline Diz:

    Muito bom teu texto Paulo.Só discordo numa coisa: os programas infantis não sumiram, eles apenas mudaram de forma. Hoje em dia, ao invés da apresentadora loira, temos bilhões de desenhos japoneses(que já tinham aparecido nos anos 90).As crianças continuam grudadas na TV, mas a programação perdeu seu ar “pueril” e aposta na idéia de “ação, modernidade, adolescência”.Já repararam como cada vez mais as crianças entram cedo na adolescência?As meninas já querem usar maquiagem, sutiã, roupas adultas.Tudo isso sem ter maturidade ou experiência alguma de vida.
    Li, outro dia, inclusive, que até a consagrada Barbie está mudando por causa das Bratz, aquelas bonecas cabeçudas pré adolescentes.É a nova demanda do mercado ou ele está criando isso?

  3. Mayara Maciel Diz:

    Paulo, parabéns pelo seu texto!
    Acho que realmente que os programas de televisão infantil estão a cada dia perdendo espaço para os vídeo games e para os joguinhos da internet. As crianças de hoje estão bem mais exigentes e selecionadoras das opções de entretenimento que lhes são ofertadas na TV. Na década de 90 quem reinava absoluta era a rainha Xuxa que apresentava um programa de auditório, hoje quem tem a atenção das crianças são dois pré-adolescentes (Priscila e Yudi) que diferentemente da Xuxa, não apresentam um programa de auditório, mas em compensação, oferecem prêmios caros e tecnológicos, como computadores, vídeo games e celulares. Na nossa época de crianças, sempre vimos na televisão a interação das apresentadoras com as crianças, hoje o que vemos são crianças participando dos programas infantis através telefone e falando “Playstation, Playstation”, isso pode ser encarado como a comprovação de que o capitalismo e o consumismo estão tomando conta de nossas crianças

  4. Ariana Diz:

    Ah!como eu gostava dessas guloseimas televisivas!..
    e gostei do teu texto, claro né?!
    ;**

  5. Uriel Diz:

    AAAAAAAI a época que eu era feliz massa de manobra do capitalismo e não sabia…
    Ei, mas mesmo assim não podemos apagar todos os momentos mágicos que essa época proporcionou e que a infância sempre deveria proporcionar. Realmente sempre bate uma nostalgia desses tempos, mesmo já tendo o distanciamento necessário pra perceber que a vida não era tão doce quando aparentava ser.

    aham Claudia, senta lá:

  6. savio Diz:

    Legal o texto. Mas quem é Mariane?
    Nunca gostei da Xuxa, nem da Mara, muito menos da Angélica. Porém a Eliana era bem mais educativa.
    E hoje os formatos dos programas mudaram, mas mesmo assim a TV Cultura ainda é a única que preza pela formação educacional das crianças.

  7. Pedro Henrique Thomaz Diz:

    Parabéns pelo texto, Paulo! (“Novelhinhas”? Quí-íssujá? =D Brincadeira!)
    Pois é!
    Por que será que um programa da SBT ganha um Troféu Imprensa, criado pela própria emissora? Hum… baaastante imparcial. Mas não vem ao caso.
    “Sentalá Cláudia!”
    A Xuxa hoje está esquecendo as crianças, coitadas. Só porque ela tem a filha prodígio dela nem quer mais saber do resto dos pequenos. “Ah, hoje é só aquela coisa de “TV Xuxa”, nada de infantil, buá!” Hoje, as crianças só sabem que existe a “rainha dos baixinhos” pelo “X”. Pensou em “X”: Xuxa – A Rainha dos Baixinhos. Parece exemplo de figura de linguagem.
    Antes era mais forte esse apelo. O chamuscado “Xuxa Park” era demais, eu lembro. Ela sabia como entreter a criançada. Os tempos passam, os filmes pornográficos com o público alvo de seu trabalho vem à tona, enfim, nada é como antes. Podres revelados. O bye-bye para Marlene Matos (aquela que “fez a Xuxa”)…
    Bem, agora só resta a Maisa. Do SBT. Suponho que a nova geração dos brasileirinhos só saberão gritar “Playstation”, “Dynavision” e os outros prêmios da “roleta”!

  8. Mayara Maciel Diz:

    Eu tbm adorava o “Xuxa Park”. Era e sempre será o melhor programa infantil de todos os tempos. Xuxa, I love you!!! Inho, Inho, Inho, a Xuxa é a melhor!!!!!! (ou pelo menos foi).

  9. karina Diz:

    ahnnn…mas fala sério: muito antes dos programas de televisão perderem espaço para a internet e videogames, as brincadeiras mais interativas, daquelas que faziam você voltar todo ensopado pra casa (tipo garrafão, tacoball, pira-pega), perderam espaço para a televisão. Saudades das brincadeiras mais tradicionais, que por sinal, foram relembradas hoje num dos “momentos nostalgia” da nossa turma.

  10. Nilson Nunes Diz:

    Paulo Henrique, adorei seu texto!

    Enquanto eu lia o texto várias imagens da minha infância foram passando como um filme na minha mente!Que saudades dos tempos do Castelo Rá-Tim-Bum(me divertia muito com as personagens e com o X-tudo, que além de divertido era também educativo.
    Vejo esses desenhos de hoje em dia e constato que a grande maioria, se não todos, não chega nem perto do desenhos de antigamente.
    É, aqueles foram bons tempos que vão ficar guardados na memória!

  11. Nayra Bastos Diz:

    E é ao ler textos como o seu que percebo o quanto estou ficando velha… HSUAHSUAHSUAH
    Caro (?) Paulo Henrique,quase xará do meu irmãozinho,chorei litros com seu post. Que saudade dessa época! A Xuxa marcou mesmo a minha infância,e por mais que a Marlene não esteja mais com ela, não acredito que não passe por sua cabeça fazer um programa naquele formato. Se bem que ela até parece que se encontrou com o novo “Tv Xuxa”!
    Mas enfim, também não assisto mais. Prefiro a Priscila e o Yudi. Se os programas infantis não são mais como antigamente,prefiro ver os desenhos japoneses então. Ao contrário do que falaram aí em cima,eu gosto de animes, pelo menos eles são menos previsíveis do que o Pernalonga!
    Hum… Já gostei do Pernalonga também… E parei aos CINCO anos,ao constatar o quão repetitivo e injusto ele e toda a galera da Warner eram. Coitado do Frajola,aquilo que faziam com ele não é legal. E o Coiote,então? Me dava era raiva!
    Falta na televisão algo inovador. As crianças estão cansadas das mesmas coisas de sempre. É preciso novos formatos, interativos mas sem perder o conteúdo. Se não, para sempre ficaremos com saudades do Cocoricó (que inclusive ainda passa,mas são os mesmíssimos episódios!).

  12. Weslley Nascimento Diz:

    A mesma geração de crianças dos anos 90 que hoje em dia reclama da programação exibida nos dias de hoje será substituída pela (2000-2010) que também estará insatisfeita com o conteúdo da próxima,a grande diferença é que a geração 90 ”criança era mais criança”.As musicas cantadas nos programas da Eliana dedinhos,minhoquinhas já não mais são feitos coisas do tipo hoje em dia,a apresentadora com jeito de criança desapareceu.O pior que tal geração está perdendo o bom dos anos 90, sim ela vai recordar de naruto de Jessica e Yuri e outros com uma saudade da mesma intensidade de 90 só que a parte boa de criança foi substituida por violência excessiva e pequeninos com jeito de adolescente.

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