O sonho de uma vida melhor impulsiona diversos movimentos migratórios no mundo.Desde o início dos tempos, uma parte da humanidade vai de vilarejo em vilarejo, de cidade em cidade, continente em continente em busca de comércio, estudo, trabalho, passeio, negócios, maridos e esposas ou simplesmente uma oportunidade.

O Brasil começou sua existência como um país de imigrantes, ou seja, diversos povos vinham para cá (à força ou não).A constituição da população brasileira baseou-se na mistura desses povos (portugueses, franceses, etnias africanas, italianos, alemães, polacos, japoneses etc.) com a população original (indígenas)
Desde o século XX, o movimento migratório brasileiro inverteu-se: milhares de brasileiros começaram a tentar a vida no estrangeiro.Muitos, inclusive, iam para o exterior para fugir de perseguições políticas.
Atualmente, existem mais de 3,5 milhões brasileiros espalhados em mais de 100 países¹.A vida de quem emigra ou sonha em emigrar é repleta de medos e desafios: adaptar-se a um novo modo de vida, idioma, sofrer preconceitos, a dificuldade para arranjar empregos bons.
Kalebe de Oliveira Ávila, 17 anos, é um paraense que atualmente mora em Fortaleza e é apaixonado por idiomas.Ao todo, está estudando 6 línguas e pretende morar no exterior.
Seguindo Curso: Quais países você gostaria de morar?
Kalebe: Rússia, Estônia, Finlândia e Ucrânia. Eu disse só esses, mas tem mais outros.
SC: São todos países europeus. Por que escolheu esses países?
K: Poderiam me perguntar, por que não escolheu a França ou a Inglaterra, que são países mais lindos e ricos da Europa.Digo que tenho uma paixão maior por aqueles países menos “importantes” da Europa.Meu propósito é de pregar o evangelho nestes países, pois sou protestante.
SC: Você sentiria alguma dificuldade para se adaptar aos novos costumes?
K : Acho que a maior dificuldade para mim seria o frio.
SC: Você sente algum medo de ir morar nesses países?
K : Não sinto medo algum, nenhum, aconteça o que acontecer,eu estarei lá.
SC: Quais desafios você acha que enfrentaria lá?
K: Na minha opinião, depende do país.Por exemplo, na Rússia existem os skinheads, que com certeza absoluta não iriam com a minha cara.Fora os que me perseguiriam por pregar o evangelho.
SC: Por que os skinheads não iriam com a sua cara?
K : Sou um brasileiro, tipo : índio. Eu sou multiétnico, se me vissem com um russo, me espancariam muito.
SC: Você já ouviu ou leu relatos parecidos?
K: Sim, minha amiga russa chamada Natasha foi espancada e chamada de traidora por eles, porque estava com um amigo da Espanha.

Kalebe com sua amiga Natasha
SC: Qual sua opinião com relação aos brasileiros que emigram e sofrem maus tratos no exterior, como foi o caso na Espanha ano passado?Você acha que o Itamaraty deveria tomar alguma atitude?
K: Sim, como os brasileiros são maltratados lá, o Brasil deveria tratá-los da mesma forma. Como aconteceu aqui em Fortaleza: um espanhol chegou pensando que iria passear em ótimas praias, há, foi deportado, o motivo? Por ser espanhol…
SC: Kalebe, nossa penúltima pergunta : qual sua opinião com relação à criação de um “Estado do Imigrante”, uma proposta que tem ganhado vários adeptos no mundo?
K: Bem, isso resolveria muitos casos…Principalmente o meu! (risos)
SC: Para fechar com chave de ouro: qual recado você daria para os brasileiros que sonham morar no exterior e veem a identidade cultural e étnica como um entrave?
K: Falaria para não se intimidarem, sejam o que são.
Já Kai Humphreys, 23 anos, nascido em Cape Town, África do Sul, está vivendo suas primeiras experiências como um imigrante no Canadá. Kai vive a um mês e meio em Vancouver e diz que a parte mais difícil é encontrar um emprego.
De acordo com ele, essa dificuldade é decorrente de 3 razões: recessão mundial, muita competição no mercado de trabalho e porque ele não tem um visto de trabalho.”Sem trabalho é muito caro viver aqui”, afirma ele.
Kai conta que escolheu o Canadá porque várias animações e jogos são feitos lá, e como ele faz animações em 3D, Vancouver pareceu uma ótima cidade para se morar.
Seja no sonho ou na realidade, morar no exterior ainda é uma opção para muitas pessoas, tanto para brasileiros quanto estrangeiros.”Pense antes de cada passo, traga bastante dinheiro e tente organizar um trabalho antes de entrar no país, pois Vancouver é a terceira cidade com maior custo de vida do mundo”, conclui Kai, aconselhando a todos aqueles que desejam morar no exterior.
¹ Fonte: http://www.sotaquebrasileiro.com/ ,acessado no dia 15 de maio de 2009,às 10:48 a.m.



Maio 18, 2009 ás 8:12 pm |
Ótimo teu texto. É bom mesmo que as pessoas que tem esse sonho de morar no exterior saibam que não vai ser tão fácil viver no mundo ‘encantado’. O lugar pode até ser, mas as pessoas, os costumes podem te fazer mudar de ideia. Alertá-las foi inteligente, e tu tiveste esse papel.
Maio 18, 2009 ás 11:27 pm |
Podia ter explorado mais a questão do “Estado do Emigrante”, que é interessantíssima, principalmente pq o projeto (do nosso ex-candidato a presidente Cristóvam Buarque) prevê que os emigrantes brasileiros possam votar e eleger seus próprios representantes. Atualmente, eles só podem votar pra presidente. Teriamos nesse caso um deputado para representar os brasileiros na europa, outro na américa, outro na ásia etc.
Isso é importante pq, ao contrario do que muitas pessoas pensam, a maioria dos emigrantes brasileiros são pobres, ilegais, sem instrução, e não têm no Estado o apoio que deveriam ter.
Maio 19, 2009 ás 1:15 pm |
Realmente no é tão fácil viver fora do país como muita gente imagina, somos muito românticos ao perseguir certos sonhos às vezes e isso acaba levando à frustração,viver no exterior pode ser uma ótima experiência mas tem que ser planejada de maneira muito lúcida. Na verdade essa é uma das minhas aspirações (acho que de muita gente no nosso curso, que tem como uma de suas marcas a curiosidade) e nas míseras oportunidades que tive de conversar com pessoas que vinham de longe, percebi como elas se enriqueciam ao ter contato com a minha cultura e como eu podia me enriquecer ao ter contato com a delas.
Gostei muito do texto, só senti falta mesmo de mais informações sobre o ‘estado do imigrante’, como disse o Adriano. Nunca tinha ouvido falar.
Adorei a foto! uahsuahsuahs
Maio 19, 2009 ás 2:04 pm |
a grande maioria de pessoas que vão para o exterior são absorvidas pelo mercado informal ou trabalham como profissionais do sexo. Mas o que não falta é programa mostrando brasileiros que mudam completamente de vida depois de ir para o exterior, os quais são uma ínfima minoria.
Maio 20, 2009 ás 4:17 am |
Ótimo texto, parabéns, Carol! Entrevistas/veracidade, que show!
Pois é, Sávio!
Eu percebi vários programas e reportagens especiais mostrando, claro, as inúmeras desgraças e tragédias que abalam os que “sonham por uma vida melhor” e acabam, por exemplo nas “ruas do sexo” ou em “boates de prostituição” em Portugal. Não longe; a Rede Record mostrou o drama das mulheres e crianças, aliciadas pelo mesmo discurso (acaba por soar utópico e, claro conquistador “uma vida melhor no exterior”), aqui em Belém.
-Hum-hum, como diz o mudinho.
Maio 20, 2009 ás 9:49 pm |
Gente, agradeço pelas críticas e elogios. Não explorei muito a questão do Estado do Imigrante porque é um tema muito extenso e eu pretendia abordar apenas algumas questões da emigração.
Admito que foi falha minha não te colocado ao menos um link para vocês se informarem melhor.
Aqui vão algumas sugestões:
http://www.estadodoemigrante.org/
http://www.diretodaredacao.com/site/noticias/index.php?not=4178 – Rui Martins é um jornalista que mora em Berna, Suiça, e é a favor da criação desse Estado do Emigrante.Muitos textos dele trazem bons argumentos, sugiro que vocês deem uma olhada.
Maio 21, 2009 ás 12:07 am |
Parabéns Carol, o seu texto está excelente!
É muito interessante conversar com pessoas que conheceram vários lugares, pois a experiência que essas pessoas têm é algo fascinante e bastante enriquecedor.
Gostei do que o entrevistado falou sobre as dificuldades que podem ser enfrentadas por quem deseja viver em outro país, afinal a maioria das pessoas só pensa no lado positivo, no entanto o lado negativo existe e deve ser considerado.
A única crítica(claro que construtiva)que tenho a fazer é que você não falou muito do estado do imigrante, que sinceramente eu ainda não conhecia.Bom, mas o seu texto realmente foi ótimo, parabéns!
Maio 21, 2009 ás 4:14 am |
Carol,gostei muito d seu texto,pois ele trata de um assunto q quase todos já pensaram, o de sair d país…mas sera q sempre é este o melhor caminho???
Gostei d entrevista,ela mostrou o lado violento na recepção d estrangeiros!!!bjao miga