São inegáveis os laços que unem a comunicação ao poder político no Brasil. Por exemplo: a imprensa, em seus primórdios, deveria se submeter aos interesses da Corte. Caso contrário, os donos de periódicos (jornais) veriam a ruína em pouco tempo, por não receberem os mesmos incentivos que aquele jornal que era pró-Corte recebia. Quem possuía condições financeiras e queria se opor à Corte, poderia fazer o jornal fora do país para não enfrentar censura.
Passaram-se os séculos, mas pouco mudou: a maioria dos meios de comunicação (os grandes principalmente) trouxe desse passado o atrelamento às elites políticas dominantes, que nada se importam em desenvolver o pensamento crítico da população brasileira: a informação já nos é entregue impregnada da opinião que convém aos grandes donos da mídia, vestida de manipulação política.
Segundo pesquisa divulgada em 2008 pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (EPCOM), 271 políticos eram donos à época, de 348 emissoras de rádiodifsão (rádio e TV). A prática como se sabe é ilegal, mas a legislação é burlada com muita freqüência como se vê. No Pará, os dois maiores jornais (O Liberal e Diário do Pará) não se omitem do partidarismo: o Diário pertence à família dos Barbalho, tradicional na cena política regional por ter vários de seus integrantes no PMDB. Já O Liberal, assume claramente uma postura pró-PSDB.
Não se pode envolver todos os meios de comunicação nesta crítica, óbvio. Existem jornalistas já consolidados no mercado que conseguem fazer um trabalho diferenciado, como Mino Carta (Revista Carta Capital) e Lúcio Flávio Pinto (Jornal Pessoal), não sem muito batalhar antes. Sem contar com a explosão de sites e blogs na internet. O problema é que estas fontes de informação alternativas ainda distanciam-se da realidade brasileira, seja pelo preço um pouco mais alto do que as fontes mais populares, seja pela linguagem mais rebuscada ou mesmo pela falta de interesse de uma população que cresceu assistindo à TV Globo.
Enquanto o governo e pessoas como William Bonner continuarem achando que somos com Homer Simpson (como o próprio Bonner definiu o público-alvo do Jornal Nacional), ou seja, sem capacidade intelectual alguma, não teremos força para limpar a comunicação dessa politicagem suja. Investir na formação e desenvolvimento do nosso pensamento crítico nunca foi intenção dos poderosos donos da mídia. Afinal, eles sabem tanto quanto nós, que quem domina a informação, tem o mundo nas mãos.



Maio 23, 2009 ás 10:36 pm |
Muito bom o texto. E é, de certa forma, esclarecedor ‘pra aqueles que não têm muita noção do que há por trás de certos meios de comunicação.
Maio 23, 2009 ás 11:30 pm |
Concordo com que o Flávio disse.
Algumas informações realmente eu desconhecia.
Parabéns mesmo, seu texto é muito interessante.
Maio 24, 2009 ás 1:17 pm |
valeu gente! :p
ahn…quero aproveitar pra corrigir a frase que saiu “com Homer Simpson”.Deveria ser “como Homer Simpson”.
Maio 29, 2009 ás 2:28 am |
pensei que teu texto, karina, fosse sobre o caso da fazenda espirito santo.
Maio 30, 2009 ás 10:53 am |
é, eu ia até englobar esse assunto…mas talvez uma abordagem mais profunda sobre esse tema não fosse ser tão interessante assim… :D
Junho 7, 2009 ás 7:37 pm |
Muito interessante, e esclarecedor o texto, mas ainda falta alguns fatos a serem citados por exemplo, algumas radios tem como donos politicos ou pessoas envolvidas na politica, na qual as vezes ele nao expoe a noticia como o todo, e sim as partes que lhe interessa. Mas o texto em si está muito bom e o assunto é interessante para os jovens, principalmente, pois é uma coias que nos interessa.
Junho 8, 2009 ás 12:48 pm |
Gostei do post!
Se o william bonner nos chamou de Homer Simpson e ninguém se atentou para a própria realidade, a situação é pior do que pensava…
Infelizmente, ainda vai demorar para conseguirmos mudar isso. Mesmo com toda a nossa vontade,como futuros jornalistas, ainda precisamos da união de toda a sociedade!