Símbolo de poder

Junho 7, 2009

Seja através de pinturas nas cavernas ou de sinais de fumaça, a humanidade sempre utilizou símbolos para se comunicar. Impossível apreender fisicamente a complexidade do mundo, com suas montanhas, desertos, oceanos e, principalmente, pessoas, sem o auxílio dessas representações. E nesse esquema de produção, transmissão e recebimento de símbolos do processo comunicativo, o domínio e interpretação dos mesmos sempre tiveram o poder de causar mudanças. Às vezes mudanças simples, como usar uma ponta de flecha diferente para caçar determinado animal, às vezes mudanças mais profundas, que decidiram os rumos de nações.

Atualmente, além de complexos sistemas que misturam imagens sons e cores na tela de nosso computador, por exemplo, possuímos uma escrita muito desenvolvida, o que nos poupa de queimar folhas ou extrair o sangue de algum animal para transmitir mensagens. No entanto, a falta de conhecimento desse código escrito, ainda hoje, atinge boa parcela de nossa população.

14 milhões de brasileiros (cerca de 8% da população) são analfabetos (IBGE-2008), e se juntarmos a esses números os índices do analfabetismo funcional, que diz respeito àquelas pessoas que, apesar de alfabetizadas, não conseguem ler e interpretar textos simples, o percentual de pessoas com deficiências de leitura beira os 75% de nossa população.

75% da população de um país privada de ter acesso a um universo infinito de possibilidades, pois o simples fato de ser ou não capaz de interpretar os símbolos negros contidos nas pálidas páginas de um livro desencadeia diversas potencialidades. Você mesmo não poderia estar lendo isto, aqui, agora, se informando, criticando, concordando, discordando etc, se não fossemos capazes de compartilhar esse código.

Códigos esses que têm a capacidade de, ao mesmo tempo, serem objetivos, na medida em que cada sistema utiliza sempre as mesmas letras e símbolos, e subjetivos, na medida em que transpor em palavras algo muitas vezes tão pessoal quanto sentimentos e idéias nem sempre é tarefa simples. Mas a possibilidade está lá: tanto podemos mostrar o que se passa em nosso cérebro quanto ter acesso à parcela da mente que os outros nos tornam acessível através da caneta ou do teclado. Independentemente da complexidade ideológica, filosófica ou o que quer que seja de um texto, a palavra escrita é, indiscutivelmente, dotada da capacidade de nos tocar, mobilizar nossas mentes e corações para que queiramos nos manter informados, entrar em intrigas, desentendimentos, disputas e até mesmo provocar paixões.

Por isso a óbvia necessidade de que a leitura e a escrita plenas se estendam a todos, garantidas como direito que legitima a liberdade de expressão e o devido exercício da cidadania. Para que sejamos capazes de escolher de que lado ficar.

Para que todos possam ter a chance de ter sua vida mudada pela filosofia de Paulo Coelho (ou até mesmo achar que a literatura brasileira nunca produziu nada mais medíocre). Para que todos possam ter acesso aos bastidores do poder em Brasília, descritos por Gilberto Dimenstein; possam descobrir por que no ‘Mundo de Sofia’ acontecem coisas tão estranhas; ou se finalmente o ‘Elefante Basílio’ conseguirá ou não virar borboleta e, ainda, ler e reler o ‘Relatório da coisa’ para tentar entender que diabos a Clarice queria dizer com ‘Sveglia’.

uriel


O Mistério da Pedra da Gávea

Maio 8, 2009

pedra

Há uma gigante pedra na Cidade Maravilhosa. Ela não esta entre as sete maravilhas do mundo como o Cristo Redentor, mas é um dos muitos enigmas da terra. A 842 metros acima do nível do mar, entre os bairros da Barra da Tijuca e São Conrado, existe uma lendária montanha, chamada Gávea, um nome dado pelos primeiros portugueses que notaram que ela era um observatório perfeito das caravelas que chegavam.

A pedra da Gávea é a face de um gigante desconhecido, onde existem inscrições antigas que podem ser de um povo que viveu na terra cerca de 1.000 a.C. Mas ninguém até hoje conseguiu provar quem as fez e o por quê.

Os estudos começam no século XIX, quando o então imperador do Brasil D. Pedro I inicia pesquisas oficiais na rocha, segundo relatório fornecido pelo grupo de pesquisa diz que eles “viram as inscrições e também algumas depressões feitas pela natureza.”. Entretanto essa análise foi muito refutada, pois qualquer um que veja as marcas de perto acredita que nenhum fenômeno natural faria aquelas inscrições.

Depois do primeiro relatório a Pedra voltou à tona, quando em 1931 um grupo de excursionistas formou uma expedição para achar uma suposta tumba de um rei fenício que subiu ao trono em 856 a.C. Escavações amadoras foram feitas sem muito êxito. Em 1937 este mesmo clube organizou outra expedição, desta vez com um número grande de participantes, com o objetivo de explorar a face e os olhos da cabeça até o topo, usando cordas. Esta foi a primeira vez que alguém explorava aquela parte da rocha depois dos fenícios, se a lenda está correta.

No ano de 1946, o Centro de Excursionismo Brasileiro enviou um grupo de exploradores para uma escalada no lado Oeste, eles conquistaram a orelha direita da cabeça, a qual está a 20 metros de altura e tem uma inclinação de 80 graus do chão. Depois dessa perigosa subida, encontraram ali, na orelha, uma entrada para uma gruta que leva a uma longa e estreita caverna interna que vai até ao outro lado da pedra.

O lado leste da cabeça, chamado de “Paredão do Escaravelho”, só foi explorado em 1972 pela Equipe Neblina. Nessa expedição eles encontraram inscrições feitas a 30 metros abaixo do topo, as quais estão muito bem conservadas para um lugar de chuvas constantes como Rio. As inscrições só foram traduzidas em 1963 pelo professor de habilidade científica chamado Bernardo A. Silva Ramos.

Foto da inscrição

Foto da inscrição

LAABHTEJBARRIZDABNAISINEOFRUZT

Que lidas ao contrário:

TZUR FOENISIAN BADZIR RAB JETHBAAL

Ou:

TIRO, FENÍCIA, BADEZIR PRIMOGÊNITO DE JETHBAAL

Fim do Mistério?

Fim do Mistério?

O jornal “O Globo” no dia 6 de Agosto de 2000 publicou a pesquisa feita por um grupo de geólogos que acreditam ter colocado um ponto final no mistério da Pedra da Gávea, depois de mais de 200 anos de muitas teorias, de que ela poderia ser: uma tumba de um rei fenício, a cabeça de uma gigante esfinge, portal para um outro mundo ou, até mesmo, pouso para  naves espaciais. Os dados apresentados pelo grupo formado por estudantes da UFRJ e da UERJ, que utilizando na pesquisa o GPR(sigla que inglês quer dizer radar de penetração no solo) chegaram a seguinte conclusão “Os dados obtidos não mostram nada além de rocha maciça na  Pedra da Gávea” -  declaração feita pela geofísica Paula Ferrúcio da Costa . Concluíram também que as inscrições não passam de falhas geológicas causadas pelas intemperes que desgastaram os minérios mais sensíveis.

Os arqueólogos diferentes dos geólogos ainda não confirmaram a tese dos fenícios tampouco a descartam.

O que despertou 200 anos de muitas teorias?

  • Uma enorme cavidade na forma de um portal na parte nordeste da cabeça que tem 15 metros de altura e 7 metros de largura e 2 metros de profundidade;
  • O local de um suposto nariz, que teria caído há muito tempo atrás
  • As enormes pedras no topo da cabeça a qual lembra um tipo de coroa ou adorno;
  • Um observatório na parte sudeste como um dólmen, contendo algumas marcas;
  • Um ponto culminante como uma pequena pirâmide feita de um único bloco de pedra no topo da cabeça;
  • As famosas e controversas inscrições no lado da rocha;
  • Algumas outras inscrições lembrando cobras, raios-solares, etc. Espalhados pelo topo da montanha

“Para cada coisa que acredito saber, dou-me conta de nove que ignoro”

(Provérbio Árabe)

A humanidade está cercada de mistérios, de grandes enigmas os quais alimentam nossa sede por saber, por novas descobertas. O que seria de nós, humanos, se não houvesse mais nada a saber, se não houvesse mais nada para descobrir?

bruna