Dia desses, estava eu ouvindo “manchete nos jornais” do grupo sergipano Calcinha Preta, quando sou abordado no MSN por um individuo dizendo: “ISSO É CALCINHA PRETA???”, seguido de alguns emoticons de deboche. Tudo bem, todo mundo tem o direito de gostar ou desgostar do que quiser, não é mesmo? Mas o que me chamou a atenção é que não é a primeira vez que isso acontece, já aconteceu quando eu estava escutado a banda Calypso ou a Techno Show. Daí, passei a me perguntar: por que tais manifestações não ocorreram quando eu estava escutando a Pitty, os Strokes ou o Mozart?
Sinceramente, me incomoda muito o desprezo que muitas vezes temos pelo que é considerado “popular”. Coisa digna do capitalismo, onde tudo é massificado e procuramos quase que desesperadamente por um suspiro de “originalidade”, “exclusividade”. Mas, mesmo assim, não acho que isso seja motivo para tamanha aversão ao DJ Dinho e ao pessoal que faz o ‘T’.
A maioria das pessoas que me aborda com essa atitude do primeiro parágrafo, nem sequer ouviu as músicas em questão, para poderem afirmar com o mínimo de convicção que são vulgares ou dignas da lata do lixo. “Não ouço não… mas não gosto!”, eles dizem, como se todas fossem um estilo homogêneo.
É certo que, constantemente, nos encontramos imersos em um mundo de apelações e redundâncias; mas simplesmente fechar os olhos para as ditas músicas, sem sequer fazer um esforço para escapar dos domos de nossos preconceitos, é ignorar a sua possibilidade de produtos simbólicos cheios de significados, que refletem a realidade de diversas pessoas. De nosso povo. Além de reforçar o antagonismo entre uma cultura “erudita” e uma “popular”, ou, então, entre o que é “bom” e o que é “ruim”; revelando, na maioria das vezes, uma concepção preconceituosa, elitista e excludente.
Então, se você é fã de alguma dessas bandinhas inglesas underground, super estilosas, que lhe oferecem a maravilhosa possibilidade de ser seu único fã e fundador da comunidade no Orkut, que possui 9 membros: ótimo pra você. Mas convenhamos que é de bom senso e um ótimo exercício tentar mudar a aversão pelos bregas e forrós da vida, por que o mundo não é feito da maneira que, muitas vezes (fantasiosamente), idealizamos. Se quiser fazer um esforço a mais: ouça alguns deles! Nem que seja pra depois falar mal com mais conhecimento de causa. Além do quê, nunca se sabe de que maneira Joelma poderia mudar seu destino…


Publicado por seguindocurso 
