Coisa de Pobre

Maio 8, 2009

Dia desses, estava eu ouvindo “manchete nos jornais” do grupo sergipano Calcinha Preta, quando sou abordado no MSN por um individuo dizendo: “ISSO É CALCINHA PRETA???”, seguido de alguns emoticons de deboche. Tudo bem, todo mundo tem o direito de gostar ou desgostar do que quiser, não é mesmo? Mas o que me chamou a atenção é que não é a primeira vez que isso acontece, já aconteceu quando eu estava escutado a banda Calypso ou a Techno Show. Daí, passei a me perguntar: por que tais manifestações não ocorreram quando eu estava escutando a Pitty, os Strokes ou o Mozart?

Sinceramente, me incomoda muito o desprezo que muitas vezes temos pelo que é considerado “popular”. Coisa digna do capitalismo, onde tudo é massificado e procuramos quase que desesperadamente por um suspiro de “originalidade”, “exclusividade”. Mas, mesmo assim, não acho que isso seja motivo para tamanha aversão ao DJ Dinho e ao pessoal que faz o ‘T’.

A maioria das pessoas que me aborda com essa atitude do primeiro parágrafo, nem sequer ouviu as músicas em questão, para poderem afirmar com o mínimo de convicção que são vulgares ou dignas da lata do lixo. “Não ouço não… mas não gosto!”, eles dizem, como se todas fossem um estilo homogêneo.

É certo que, constantemente, nos encontramos imersos em um mundo de apelações e redundâncias; mas simplesmente fechar os olhos para as ditas músicas, sem sequer fazer um esforço para escapar dos domos de nossos preconceitos, é ignorar a sua possibilidade de produtos simbólicos cheios de significados, que refletem a realidade de diversas pessoas. De nosso povo. Além de reforçar o antagonismo entre uma cultura “erudita” e uma “popular”, ou, então, entre o que é “bom” e o que é “ruim”; revelando, na maioria das vezes, uma concepção preconceituosa, elitista e excludente.

Então, se você é fã de alguma dessas bandinhas inglesas underground, super estilosas, que lhe oferecem a maravilhosa possibilidade de ser seu único fã e fundador da comunidade no Orkut, que possui 9 membros: ótimo pra você. Mas convenhamos que é de bom senso e um ótimo exercício tentar mudar a aversão pelos bregas e forrós da vida, por que o mundo não é feito da maneira que, muitas vezes (fantasiosamente), idealizamos. Se quiser fazer um esforço a mais: ouça alguns deles! Nem que seja pra depois falar mal com mais conhecimento de causa. Além do quê, nunca se sabe de que maneira Joelma poderia mudar seu destino…

uriel