Minha cor no exterior

Maio 17, 2009

O sonho de uma vida melhor impulsiona diversos movimentos migratórios no mundo.Desde o início dos tempos, uma parte da humanidade vai de vilarejo em vilarejo, de cidade em cidade, continente em continente em busca de comércio, estudo, trabalho, passeio, negócios, maridos e esposas ou simplesmente uma oportunidade.

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O Brasil começou sua existência como um país de imigrantes, ou seja, diversos povos vinham para cá (à força ou não).A constituição da população brasileira baseou-se na mistura desses povos (portugueses, franceses, etnias africanas, italianos, alemães, polacos, japoneses etc.) com a população original (indígenas)

Desde o século XX, o movimento migratório brasileiro inverteu-se: milhares de brasileiros começaram a tentar a vida no estrangeiro.Muitos, inclusive, iam para o exterior para fugir de perseguições políticas.
Atualmente, existem mais de 3,5 milhões brasileiros espalhados em mais de 100 países¹.A vida de quem emigra ou sonha em emigrar é repleta de medos e desafios: adaptar-se a um novo modo de vida, idioma, sofrer preconceitos, a dificuldade para arranjar empregos bons.

Kalebe de Oliveira Ávila, 17 anos, é um paraense que atualmente mora em Fortaleza e é apaixonado por idiomas.Ao todo, está estudando 6 línguas e pretende morar no exterior.

Seguindo Curso: Quais países você gostaria de morar?

Kalebe: Rússia, Estônia, Finlândia e Ucrânia. Eu disse só esses, mas tem mais outros.

SC: São todos países europeus. Por que escolheu esses países?

K: Poderiam me perguntar, por que não escolheu a França ou a Inglaterra, que são países mais lindos e ricos da Europa.Digo que tenho uma paixão maior por aqueles países menos “importantes” da Europa.Meu propósito é de pregar o evangelho nestes países, pois sou protestante.

SC: Você sentiria alguma dificuldade para se adaptar aos novos costumes?

K : Acho que a maior dificuldade para mim seria o frio.

SC: Você sente algum medo de ir morar nesses países?

K : Não sinto medo algum, nenhum, aconteça o que acontecer,eu estarei lá.

SC: Quais desafios você acha que enfrentaria lá?

K: Na minha opinião, depende do país.Por exemplo, na Rússia existem os skinheads, que com certeza absoluta não iriam com a minha cara.Fora os que me perseguiriam por pregar o evangelho.

SC: Por que os skinheads não iriam com a sua cara?

K : Sou um brasileiro, tipo : índio. Eu sou multiétnico, se me vissem com um russo, me espancariam muito.

SC: Você já ouviu ou leu relatos parecidos?

K: Sim, minha amiga russa chamada Natasha foi espancada e chamada de traidora por eles, porque estava com um amigo da Espanha.

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Kalebe com sua amiga Natasha

SC: Qual sua opinião com relação aos brasileiros que emigram e sofrem maus tratos no exterior, como foi o caso na Espanha ano passado?Você acha que o Itamaraty deveria tomar alguma atitude?

K: Sim, como os brasileiros são maltratados lá, o Brasil deveria tratá-los da mesma forma. Como aconteceu aqui em Fortaleza: um espanhol chegou pensando que iria passear em ótimas praias, há, foi deportado, o motivo? Por ser espanhol…

SC: Kalebe, nossa penúltima pergunta : qual sua opinião com relação à criação de um “Estado do Imigrante”, uma proposta que tem ganhado vários adeptos no mundo?

K: Bem, isso resolveria muitos casos…Principalmente o meu! (risos)

SC: Para fechar com chave de ouro: qual recado você daria para os brasileiros que sonham morar no exterior e veem a identidade cultural e étnica como um entrave?

K: Falaria para não se intimidarem, sejam o que são.

Já Kai Humphreys, 23 anos, nascido em Cape Town, África do Sul, está vivendo suas primeiras experiências como um imigrante no Canadá. Kai vive a um mês e meio  em Vancouver e diz que a parte mais difícil é encontrar um emprego.

De acordo com ele, essa dificuldade é decorrente de 3 razões: recessão mundial,  muita competição no mercado de trabalho e porque ele não tem um visto de trabalho.”Sem trabalho é muito caro viver aqui”, afirma ele.

Kai conta que escolheu o Canadá porque várias animações e jogos são feitos lá, e como ele faz animações em 3D, Vancouver pareceu uma ótima cidade para se morar.

Seja no sonho ou na realidade, morar no exterior ainda é uma opção para muitas pessoas, tanto para brasileiros quanto estrangeiros.”Pense antes de cada passo, traga bastante dinheiro e tente organizar um trabalho antes de entrar no país, pois Vancouver é a terceira cidade com maior custo de vida do mundo”, conclui Kai, aconselhando a todos aqueles que desejam morar no exterior.

¹ Fonte: http://www.sotaquebrasileiro.com/ ,acessado no dia 15 de maio de 2009,às 10:48 a.m.

carol