A saúde do Pará na UTI

Maio 30, 2009

Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis (…)

Artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela
Assembleia Geral das Nações Unidas, em dezembro de 1948.

Entrada do Pronto Socorro Municipal de Belém  Mário Pinot

Entrada do Pronto Socorro Municipal de Belém Mário Pinot

O paciente está em estado gravíssimo. Precisa se dirigir a uma unidade de assistência médica o quanto antes. O posto do bairro está sem condições. Tenta a ambulância do SAMU. Estão em greve. O tempo agora é o inimigo da sobrevivência. Depois da dificuldade, chega a um dos pronto-socorros da capital paraense. A maratona da batalha pela vida recomeçaria em um lugar onde o caos é geral. Sem leitos, sem aparelhos, sem médicos, sem nada. De um lado, temos uma pia, como improviso, servindo de maca para que uma criança de seis anos de idade possa morrer. Do outro, uma família vinda do interior do estado, em busca de “melhor” assistência. Dolorosa ilusão. A saúde paraense é o nosso (im)paciente, e consegue, depois de uma longa espera nos lotados corredores, um raro leito na UTI do pronto-socorro. A fase é terminal. Só nos resta esperar para ver se suas condições vão melhorar ou, se ainda for possível, piorar.

Nosso estado, mais uma vez, ganha as manchetes do noticiário nacional. Massacre de Eldorado dos Carajás, caso Xinguara, assassinato de irmã Dorothy, menina presa com homens em Abaetetuba, etc. O que mais o Pará poderia servir à mídia? O colapso da saúde pública do estado não deixou ficarmos esquecidos por muito tempo. Mas não é novidade. Em 2008, a maternidade “referência” na região, a Santa Casa de Misericórdia, registrava uma mortalidade na UTI neonatal de 56%, com 113 bebês mortos de maio até o mês de junho do mesmo ano. Nem o diretor da instituição, Anselmo Bentes, resistiu, e abandonou o cargo. Depois de toda exposição do horror que vivia a Santa Casa, o governo recentemente inaugurou seu novo centro obstétrico.

Em eleições, o tema saúde sempre foi motivo de discussão e promessas. Duciomar Costa, atual prefeito de Belém, chegou a ser desafiado pelo então candidato do PMDB, José Priante, a comparecer no local do suposto novo pronto-socorro da capital, para comprovar o andamento das obras na construção dos seus 130 leitos. Como de praxe, foi uma baixaria só. E a população ficou com mais uma promessa que, para variar, até agora não foi cumprida. A governadora petista, Ana Júlia Carepa, em sua disputa eleitoral contra o tucano Almir Gabriel, tinha como marca na campanha a “mudança” e os “treze passos para o futuro”. Só esqueceu de nos avisar sobre o teor negativo da tal transformação.

Segundo dados do IBGE, numa pesquisa de 2005, referente à saúde, do total da população brasileira, apenas 18,5% contavam com a assistência médica privada. Ou seja, tinham de pagar dois planos de saúde: o SUS, através dos abusivos impostos – inclusive, os salários dos trabalhadores brasileiros nos primeiros cinco meses de 2009, foram destinados integralmente a pagar tributos –, e a assistência particular, na tentativa de uma garantia não oferecida pelo sistema público.

Agora temos uma novela em meio a esta situação. O presidente da câmara municipal, Walter Arbage, do mesmo partido do prefeito (PTB), depois de vetar anteriormente a instauração da comissão para investigar os desmandos na área da saúde, tem novamente, a decisão em suas mãos. Enquanto o parlamentar, morosamente decide pela instauração ou não da CPI, existem vários paraenses morrendo nas pias, nos corredores, nas portas de pronto-socorros, nas incapacitadas ambulâncias, tendo um direito humano violado. E tomara que, caso a CPI seja instaurada, não tenhamos como resultado uma indigesta “pizza”. Não seria “saudável” a ninguém. Mas, neste caso, precisamos correr o risco. Afinal, do jeito que está, não podemos permanecer.

sendas


Tirinhas

Maio 30, 2009

Clique nas imagens para ampliar.

tirinha1ico

tirinha2ico

tirinha3ico

bruno


Coisa de Pobre

Maio 8, 2009

Dia desses, estava eu ouvindo “manchete nos jornais” do grupo sergipano Calcinha Preta, quando sou abordado no MSN por um individuo dizendo: “ISSO É CALCINHA PRETA???”, seguido de alguns emoticons de deboche. Tudo bem, todo mundo tem o direito de gostar ou desgostar do que quiser, não é mesmo? Mas o que me chamou a atenção é que não é a primeira vez que isso acontece, já aconteceu quando eu estava escutado a banda Calypso ou a Techno Show. Daí, passei a me perguntar: por que tais manifestações não ocorreram quando eu estava escutando a Pitty, os Strokes ou o Mozart?

Sinceramente, me incomoda muito o desprezo que muitas vezes temos pelo que é considerado “popular”. Coisa digna do capitalismo, onde tudo é massificado e procuramos quase que desesperadamente por um suspiro de “originalidade”, “exclusividade”. Mas, mesmo assim, não acho que isso seja motivo para tamanha aversão ao DJ Dinho e ao pessoal que faz o ‘T’.

A maioria das pessoas que me aborda com essa atitude do primeiro parágrafo, nem sequer ouviu as músicas em questão, para poderem afirmar com o mínimo de convicção que são vulgares ou dignas da lata do lixo. “Não ouço não… mas não gosto!”, eles dizem, como se todas fossem um estilo homogêneo.

É certo que, constantemente, nos encontramos imersos em um mundo de apelações e redundâncias; mas simplesmente fechar os olhos para as ditas músicas, sem sequer fazer um esforço para escapar dos domos de nossos preconceitos, é ignorar a sua possibilidade de produtos simbólicos cheios de significados, que refletem a realidade de diversas pessoas. De nosso povo. Além de reforçar o antagonismo entre uma cultura “erudita” e uma “popular”, ou, então, entre o que é “bom” e o que é “ruim”; revelando, na maioria das vezes, uma concepção preconceituosa, elitista e excludente.

Então, se você é fã de alguma dessas bandinhas inglesas underground, super estilosas, que lhe oferecem a maravilhosa possibilidade de ser seu único fã e fundador da comunidade no Orkut, que possui 9 membros: ótimo pra você. Mas convenhamos que é de bom senso e um ótimo exercício tentar mudar a aversão pelos bregas e forrós da vida, por que o mundo não é feito da maneira que, muitas vezes (fantasiosamente), idealizamos. Se quiser fazer um esforço a mais: ouça alguns deles! Nem que seja pra depois falar mal com mais conhecimento de causa. Além do quê, nunca se sabe de que maneira Joelma poderia mudar seu destino…

uriel